Mensagem do presidente do Conselho Geral do CNOP

Tive o grato prazer de ser eleito para presidir ao Conselho Nacional das Ordens Profissionais (CNOP) que, à data, agrega 17 Ordens de profissões cruciais para o quotidiano e para desenvolvimento do país e que asseguram serviços essenciais, representando cerca de 470.000 profissionais.

É, pois, na diversidade da missão e interesses específicos das profissões autorreguladas que reside a riqueza deste Conselho, para além de termos a noção exata do que é prestar um serviço público que possa merecer a confiança dos concidadãos, o que desde logo exige reconhecimento da qualificação e zelo no exercício profissional.

A autorregulação é um serviço público que o Estado delegou nas Ordens Profissionais, libertando-se desse ónus, tendo, para o efeito, estabelecido contratos que estão plasmados nos respetivos Estatutos que são Leis da República e, por essa razão, também tem de merecer a confiança pública.

Nesta relação, que não é apenas contratual, pois do lado dos profissionais existem aspetos vocacionais e altruístas e que ampliam, em muito, a limitação desta visão, as partes têm de ter obrigações e deveres que, para serem frutuosas, devem assentar no respeito mútuo.

Atravessamos tempos particularmente difíceis originados por uma inesperada crise pandémica que trouxe graves impactos económicos e sociais e que transformou a nossa vida, em muitos aspetos de forma irreversível, mas também é verdade que nos mostrou um país solidário e capaz de se reinventar.

Os portugueses passaram a olhar com muito mais respeito e admiração para muitos dos profissionais que integram as Associações Profissionais do CNOP e é essa a mensagem que teremos de interiorizar como incentivo para o fortalecimento do que deve ser a nossa missão e a nossa estratégia de atuação.

Uma atuação focada nos desígnios que estão subjacentes à missão do CNOP que, face à importância da sua representatividade, deverá assumidamente pugnar por constituir-se um parceiro social demarcado de posicionamentos políticos e de interesses corporativos.

A fragilidade da nossa economia, altamente exposta ao turismo, obriga-nos a refletir sobre o futuro próximo onde a transformação digital e tecnológica irão obrigar a fortes apostas no ensino e mudanças nas práticas profissionais, obrigando à reconversão de uma parte significativa da população produtiva, tendo em vista uma maior criação de riqueza que garanta a excelência dos serviços fundamentais, o futuro dos jovens, a solidariedade intergeracional e, no essencial, a nossa sustentabilidade enquanto nação independente.

Temos um país excelentemente infraestruturado, uma população madura e com formação superior de excelência, o que permitirá encarar esta mudança de época com tranquilidade e com otimismo.

Estou certo de que cada um dos membros deste Conselho saberá dar, na justa e proporcional medida, o contributo e resposta que Portugal espera de nós.

É para aí que teremos de caminhar, fazendo do CNOP o centro agregador das diferenças e dos diversos interesses profissionais, sempre em prol do país e dos portugueses.

Carlos Mineiro Aires